FalsoFalsoAfirmação27 de setembro de 2026

Valores citados por Lula para o quilo do arroz não batem com pesquisas oficiais de preços

Levantamentos do IBGE e do Dieese mostram que os preços médios do arroz no início do governo, no pico da crise e em meados de 2024 eram diferentes dos números apresentados.

Responsável pela afirmação
Luiz Inácio Lula da Silva
Classificação
Falso · Falso
Temas
Economia, Inflação, Cesta Básica, Custo de vida, Agricultura
Publicado em
27 de setembro de 2026

Em entrevista à televisão, o presidente Lula citou três preços em sequência para o quilo do arroz: R$ 4,96 no começo do mandato, R$ 8,43 no auge da crise e R$ 4,93 na data da gravação. Os dados oficiais de institutos especializados, como o Dieese e o IBGE, mostram que nenhum dos três valores corresponde à realidade dos preços médios pagos pela população. No início de 2023, o quilo do arroz já custava mais de R$ 5,00 na maior parte do país; no auge da disparada provocada pelas enchentes no Sul, a média nacional não chegou a R$ 8,43; e, em julho de 2024, o consumidor ainda pagava entre R$ 6,30 e R$ 7,50 nas capitais, sem registros oficiais de média a R$ 4,93.

Afirmação analisada

“O arroz estava R$ 4,96 quando nós entramos, foi para R$ 8,43 e hoje está R$ 4,93.”

Contexto

O preço do arroz virou assunto constante no dia a dia dos brasileiros ao longo de 2024, especialmente após as fortes enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, estado que concentra a maior parte da produção nacional do grão [1 e 3]. Em entrevista à Record [1], a oscilação do produto foi usada como exemplo de que a inflação de alimentos teria subido de forma temporária durante a tragédia ambiental, mas já estaria totalmente normalizada e de volta ao valor de quando o atual mandato começou [2].

Evidências

Para acompanhar o valor real do arroz no prato das famílias, órgãos públicos e institutos de pesquisa fazem levantamentos mensais em supermercados de todo o país [3 e 4]. Os dados históricos do Dieese e do IBGE mostram o que de fato aconteceu em cada uma das três etapas mencionadas [2, 3 e 4]:

  • Início do governo (janeiro de 2023): O preço médio do quilo do arroz agulhinha já superava a casa dos cinco reais na grande maioria das capitais pesquisadas pelo Dieese — custava, por exemplo, R$ 5,44 em São Paulo, R$ 5,16 no Rio de Janeiro e R$ 5,06 em Porto Alegre [3]. A média nacional não era de R$ 4,96 [2 e 3].
  • Pico do aumento (maio e junho de 2024): No auge da crise no Sul, o preço do arroz de fato disparou e algumas marcas mais caras chegaram a ser vendidas a cerca de R$ 40 o pacote de 5 kg (o equivalente a R$ 8 por quilo) em comércios pontuais [2 e 3]. Contudo, a média oficial nas capitais ficou entre R$ 6,50 e R$ 7,50 o quilo, não existindo registro de média geral a R$ 8,43 [2, 3 e 4].
  • Momento da entrevista (julho de 2024): Nas capitais brasileiras, o quilo do arroz continuava sendo vendido, em média, por valores entre R$ 6,30 e R$ 7,50 [2 e 3]. Em nenhuma das pesquisas de preços com cobertura nacional foi encontrada uma média de R$ 4,93 nas prateleiras naquele período [2, 3 e 4].

Análise

A comparação apresentada baseia-se em números que não encontram respaldo nos levantamentos oficiais [2 e 3]. Embora seja verdade que o arroz ficou mais caro durante a crise climática e tenha passado por acomodações graduais depois disso, nenhum dos três valores informados corresponde aos dados reais da época [2, 3 e 4].

O valor inicial citado (R$ 4,96) era mais baixo do que a média efetivamente paga pelo consumidor em janeiro de 2023 [3]. O valor de referência da alta (R$ 8,43) não correspondia à média do mercado nacional [2 e 3]. E o preço informado para o momento da fala (R$ 4,93) era muito inferior à realidade dos supermercados, onde o quilo do produto ainda custava consideravelmente mais [2, 3 e 4].

Como os três patamares informados divergem dos registros oficiais de medição de preços, a narrativa de que o arroz atingiu o patamar exato de R$ 8,43 e depois despencou de volta para R$ 4,93 é sustentada por números incorretos [2 e 3].

Omissões

A declaração não apontou a fonte nem o critério adotado para selecionar esses valores [2]. Omissões sobre a abrangência dos dados levaram o público a acreditar que o arroz já havia retornado ao mesmo preço de um ano e meio antes na média nacional, o que não correspondia aos levantamentos econômicos em vigor [2 e 3].

Limitações

A checagem utilizou como referência as pesquisas oficiais e contínuas de preços ao consumidor do Dieese e do IBGE [3 e 4], além de checagens jornalísticas independentes publicadas sobre a mesma fala [2]. Eventuais promoções pontuais em pequenos mercados de bairro não alteram a média representativa calculada pelos institutos de estatística.

Conclusão

Os levantamentos oficiais mostram que os três valores apresentados em sequência não coincidem com o comportamento dos preços ao consumidor no país [2, 3 e 4]. O quilo do arroz não custava R$ 4,96 na média do início de 2023, a média nacional não atingiu R$ 8,43 no pico das enchentes e o produto não estava sendo vendido a R$ 4,93 na média dos supermercados no momento da declaração [2 e 3]. Trata-se de uma alegação apoiada em dados que se mostram incompatíveis com as evidências disponíveis [2].

Fontes

  1. 1.[1] Presidente Lula destaca queda do desemprego e inflação em entrevista à Record - Domingo Espetacular / R7 — https://record.r7.com/domingo-espetacular/video/presidente-lula-destaca-queda-do-desemprego-e-inflacao-mas-admite-desafio-dos-juros-altos-24082026/
  2. 2.[2] Entrevista de Lula na Record: veja a checagem das 12 afirmações - Ranking dos Políticos — https://ranking.org.br/artigos/checagem-entrevista-lula-record-2026
  3. 3.[3] Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos - Preço médio do arroz agulhinha - DIEESE — https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/cestabasica.html
  4. 4.[4] Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (IPCA) - Subitem Arroz - IBGE — https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html

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